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U2
Dublin, 1976. O jovem Paul Hewson, um ex-delinqüente irlandês convertido ao catolicismo, se une ao amigo baterista Larry Mullen Jr. para formar uma banda. Eles convidam dois colegas que acabavam de chegar da Inglaterra: Adam Clayton (baixo) e David Evans (guitarra). Estava formado o Feedback, que logo depois viraria The Hype, e mais adiante fecharia o nome em U2. Hewson mudou seu nome para Bono Vox (nome de uma loja de aparelhos de surdez) e Evans virou The Edge (algo como "o fio da navalha").
A maior influência de Bono eram as bandas punks nova-iorquinas, mas o primeiro repertório do U2 era composto quase todo por covers de Beatles e Rolling Stones. O primeiro show aconteceu no colégio em que estudavam.Anos mais tarde, o empresário Paul McGuiness levaria os rapazes para gravar dois singles na gravadora CBS. Pouco depois, eles assinaram com a Island e conheceram o produtor musical Steve Lillywhite, que ajudou a forjar a personalidade sonora do U2 no álbum de estréia, Boy (1980). O hit do disco, marcado por rocks energéticos falando com surpreendente profundidade sobre conflitos tipicamente adolescentes, foi ?I Will Follow?.?Gloria?, música de trabalho de October (1981), era conduzida por um marcante riff da guitarra de Edge, mas não levou o grupo longe. O álbum, marcado por certo misticismo católico e canções tensas como ?Tomorrow?, não despertou muito interesse além da Irlanda. ?Sunday Bloody Sunday?, do politizado trabalho seguinte, War (1981), conquistou o primeiro lugar nas paradas inglesas e americanas. A turnê de lançamento do disco teve de ser prolongada devido ao sucesso inesperado ? com a banda na estrada estouraram outros hits como ?New Year??s Day? e ?Two Hearts Beat As One?, com arranjo inusitadamente funky na guitarra de Edge. O registro de um dos shows que marcaram essa ?conquista da América? rendeu o EP ao vivo Under A Blood Red Sky (1983) e um vídeo com o mesmo nome. Gravada em Red Rocks, no Colorado, a apresentação retratava todo o carisma de Bono e sua performance ingênuo-messiânica a encantar a juventude americana.
Assim terminou a primeira fase do U2, que partiu em busca de novas sonoridades em 1984, ano do aclamado The Unforgettable Fire (1984). O disco trazia uma banda ?esfriada? pela abordagem do produtor Brian Eno, cerebral e afeita a efeitos de estúdio. Em contraste, porém, os vocais de Bono apareciam voando mais alto em faixas como ?Bad?. ?Pride (In The Name Of Love)? ? dedicada a Martin Luther King ? repetiu o caminho para as paradas e os críticos da revista americana Rolling Stone elegeram o U2 como a banda do ano. The Joshua Tree (1985) aumentou a popularidade dos irlandeses e é até hoje aclamado pela imprensa especializada como o melhor trabalho do U2. Brian Eno conseguiu equilibrar melhor na produção a força rock da banda e o tom místico de canções como ?With Or Without You?, ?I Still Haven??t Found What Im Looking For? e ?Where The Streets Have No Name?. Rattle And Hum (1988), com participações de B.B. King e Bob Dylan, foi um álbum duplo e um longa-metragem. Recebido com reservas pela imprensa especializada, ele mostrava o U2 fascinado pela cultura americana e, para muitos, engolido por superdosagens de pretensão, deslumbramento e megalomania. Foi o último ato antes de a banda se retirar e surgir reinventada em Achtung Baby (1991). O disco provocou controvérsias entre público e crítica, pois o U2 panfletário dos tempos de ?Sunday Bloody Sunday? deu lugar a um grupo que comentava o mundo pós-queda do muro de Berlim de forma cínica e provocativa. Antenado com as tendências musicais, o U2 atravessou a década de 90 apostando em megaturnês que viajaram o mundo inteiro. O experimental Zooropa (1993), concebido como trilha sonora, foi praticamente um projeto paralelo. O pseudoeletrônico Pop (1997) virou polêmica por seu suposto adesismo à cultura dos DJs, mas ainda assim impulsionou nova excursão mundial de proporções mastodônticas. A turnê PopMart, com seu conceito em que se confundiam uma assumida descartabilidade e críticas à mercantilização da música pop, passou pelo Brasil em janeiro de 1998: um caótico show no inadequado Autódromo do Rio de Janeiro e uma bela apresentação no Morumbi, em São Paulo, mataram a curiosidade dos fãs.Considerado por muitos e ?vendido? como um disco de volta às origens, All That You Cant Leave Behind saiu em 2000 para acalmar os fãs que queriam ouvir mais o som da guitarra de The Edge. A banda saiu em turnê mundial novamente, decidida a não tocar mais em estádios e sepultar no passado a megalomania de cenários e parafernálias. Mas o enorme sucesso acabou levando o Elevation Tour a rodar os EUA uma segunda vez, em grandes arenas, ainda que com uma concepção ? até onde isso é possível ? mais ?intimista?.