ZELIA GATTAI
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Lançar-se como escritora aos 63 anos não é tarefa para qualquer um. Ainda mais quando se é esposa de um dos maiores escritores brasileiros contemporâneos. No entanto, Zélia Gattai ultrapassou todos os obstáculos e consagrou-se como uma das melhores representantes da literatura brasileira. Seu mais novo livro, Città di Roma, narra a vinda das famílias Da Col e Gattai da longínqua Itália para o Brasil no início do século XX, no navio que dá nome à obra. Os pais de Zélia, Angelina Da Col e Ernesto Gattai, apesar de terem vindo para o Brasil no mesmo navio, só se conheceram na cidade de São Paulo, onde fixaram residência. Todo o difícil trajeto de navio e a adaptação de sua família no novo país são contados com esmero por Zélia Gattai, a caçula da família, mostrando o período anterior ao seu primeiro romance, Anarquistas, Graças a Deus. Anarquistas, graças a Deus narra a saga da família Gattai. Filha de imigrantes italianos que chegaram a São Paulo no começo do século, Zélia conta histórias da sua família, composta por anarquistas que pregavam a fundação de uma sociedade sem leis, sem religião ou propriedade privada, onde mulheres e homens tivessem os mesmos direitos e deveres. Como cenário, o cotidiano de uma cidade em desenvolvimento. Zélia Gattai nasceu no dia 2 de julho de 1916. Aos vinte anos, casa-se em São Paulo com o intelectual e militante do Partido Comunista, Aldo Veiga, com quem teve seu primeiro filho, João. O casamento aproximou-a de renomados intelectuais, como Oswald de Andrade, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Rubem Braga e Vinicius de Moraes. Em 1938, seu pai, Ernesto Gattai, é preso pela Polícia Política e Social de São Paulo, durante o Estado Novo, o que fez Zélia se tornar cada vez mais atuante na vida política. Em 1945, separa-se de seu primeiro marido. Neste mesmo ano, conhece Jorge Amado durante o I Congresso de Escritores - certame cuja declaração final exige o retorno do País à legalidade democrática. Ainda em 45 e após um período de trabalho, militância e flerte, Jorge e Zélia decidem viver juntos. No ano seguinte, Jorge é eleito à Assembléia Constituinte pelo Partido Comunista Brasileiro, o que força a mudança do casal de Salvador para o Rio de Janeiro. Em 1947, nasce o primeiro filho, João Jorge. E em 1948, Jorge e Zélia partem para o exílio que duraria cinco anos. Passam os dois primeiros anos na França - de onde foram expulsos - e seguem para a Tchecoslováquia. Paloma, segunda filha de Zélia, nasce em Praga.
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1 dia útil para grande São Paulo
"Surpreendeu-me o convite de Zélia para apresentar sua nova obra, o que deveria ser feito a um escritor, a um memorialista. Lisonjeada, ao ler o texto original compreendi: este livro nos reúne numa... Saiba mais
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