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Mulher de Trinta Anos, A Cod. do Produto: 295311

  • De: R$ 35,60
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1 dia útil para grande São Paulo

  • Nesta precoce análise das mazelas do matrimônio enquanto cerceamento da mulher —"Casada, ela deixa de se pertencer, é a rainha e a escrava do lar" —, Balzac retrata o casamento como pilar da sociedade burguesa (agora pós-revolucionária, "o encanto do amor desapareceu em 1789") na França. Embora intrinsecamente conservador — talvez por isso mesmo —, a imagem que o autor traz da situação de mulheres curvadas sob o peso de suas obrigações sociais e legais é digna de interesse social, histórico e psicológico. Ideologicamente, sabemos que Balzac respaldava o casamento, e esta obra tinha a função de um libelo contra a "leviandade da mulher", dando origem a uma Julie remoída por abissais sentimentos de desejo e culpa, mas o próprio texto e os personagens se encarregam de traí-lo e fica-nos uma forte impressão de que Balzac o denuncia nas entrelinhas em suas estruturas mais fundamentais. Assim, são deliciosas, se não memoráveis, e um tanto inusitadas para a época, as páginas em que Balzac retrata com derrisão o homem casado, tome-se o marido de Julie, o insípido Victor d´Aiglemont, que parece não discernir com muita clareza entre seu cavalo e a mulher.
    O que restou desta obra, para além de algumas falhas de construção (por exemplo, Balzac usa condessa por marquesa, ao descrever a tia de Julie, pois com a Restauração a marquesa recuperaria seu título, mas isso não fica suficientemente claro para o leitor e aparece como lapso do autor — propositadamente não foi corrigido nesta tradução), são trechos de um belo lirismo e forte inspiração sobre o amadurecimento da mulher (Balzac parece ao mesmo tempo lamentá-lo...), justamente sua passagem para a idade balzaquiana e para uma outra beleza, a da maturidade, para cuja construção o casamento seria um mal necessário: "A fisionomia da mulher só começa aos trinta anos".
    Vemos aqui um Balzac "em construção", ora tecendo uma reveladora "análise psicológica", ora se inclinando para o "folhetim desvairado", e de uma riqueza notável ao abordar pontos essenciais de sua obra, como nota em seu prefácio Philippe Berthier, um dos mais destacados estudiosos de Balzac na atualidade.
  • Editora: Estação Liberdade
  • Autor: HONORE DE BALZAC
  • ISBN: 8574480061
  • Origem: Nacional
  • Ano: 2000
  • Edição: 1
  • Número de páginas: 228
  • Acabamento: Brochura
  • Formato: Médio
  • Complemento: Nenhuma